O MAIOR FESTIVAL DE VERÃO ESTÁ REPLETO DE BOAS SUPRESAS!!
2, 3, 4 e 5 de Agosto de 2007 na Zambujeira do Mar

THE CINEMATICS

Ah, Glasgow, tens tanto por que responder, como diria Morrissey, esse outro grande romântico. Neste caso, falamos dos The Cinematics, mais uma banda tão brilhantemente conseguida que nos faz pensar que é que colocam na água da Escócia. The Cinematics, então: quatro escoceses que começaram, como quase sempre nestes casos que terminam bem, por fazer versões dos The Clash, e mais tarde perceberam que tinham que escrever as suas canções. E se bem o pensaram, melhor o fizeram – “A Strange Education” (2007), o álbum de estreia, constitui uma lição bem prática na arte de fazer canções cativantes, simples, luminosas, tão britânicas como o chá das cinco. A produção de Stephen Hague, veterano de álbuns de nomes acima de quaisquer suspeitas (como New Order e Pet Shop Boys, por exemplo), dá o remate final de distinção e sedução a um disco que mostra uma banda a correr um sério risco de chegar às alturas dos Franz Ferdinand. Que também vêm de Glasgow… Um disco que colocará os presentes no dia 3 de Agosto no Festival Sudoeste TMN com vontade de vestir uma gravata fininha e um blazer às riscas. Elegância pura, estes The Cinematics.

Site Oficial: www.thecinematics.com

DAMIAN MARLEY
O apelido é curto, mas tem um peso extraordinário: Marley, de Bob. Damian é o filho mais novo da grande estrela do reggae, e aquele que mais perto está de alcançar os objectivos do progenitor. É Damian que confessa, ao falar das 14 canções de amor e guerra que compõem o último álbum “Welcome to Jamrock”: “Estamos a pegar no testemunho dos mais velhos que fazem música rebelde, somos os novos líderes da ‘old school’.” “Welcome to Jamrock” exibe uma panóplia estonteante das realidades das ruas da Jamaica, em que a violência, a pobreza e a marginalidade são rainhas. É, como diz aquele a quem chamam Jr. Gong, o som da verdade. Porque a verdade ao ser dita permite que as soluções para os problemas mostrem as suas faces. Sonoramente, é um disco que congrega de uma forma consistente muitos amores de portos diferentes. Antes de mais, o reggae clássico dos anos 70, ao lado do actual dancehall mais radical. Mas também não faltam contribuições vindas directamente da América onde Damian passa tanto tempo – ouve-se aqui muito R&B e hip hop. Quando chega ao palco, o MC/toaster Marley comanda, com benevolência mas pulso firme, as canções e os espectadores. São espectáculos de procura de verdade num século onde ela anda escondida.

CASSIUS

Na primeira madrugada do Festival Sudoeste TMN vamos todos ter outra vez 15 anos. A responsabilidade de tão grande tarefa de rejuvenescimento e alegria fica para os franceses Cassius, que fecham, já bem tarde, o dia 2 no palco principal. Nos pratos da dupla Philippe Zdar e Hubert Blanc-Francart vai estar o último álbum, exactamente “15 Years”. O prato principal a nível musical vai juntar alguma da melhor música de dança das últimas décadas: o duo gaulês recupera a house e o techno e junta-lhes a melhor sensibilidade pop e a implacável produção de origem electrónica. Quer atrás dos “decks” em DJ sets quer comandando uma banda ao vivo, como acontecerá na Zambujeira do Mar, põem qualquer multidão a dançar enquanto apimentam os ritmos com “riffs” de guitarra ou pedaços de dub e jazz. São sessões exuberantes em que sabemos que regularmente seremos surpreendidos com sons inesperados a adornar a base dançante – só não sabemos se serão um falseto gospel ou um cântico africano. O Sudoeste orgulha-se assim de apresentar os três grandes nomes do “french touch” que perfumou o final do milénio. Depois de Air em 2004 e Daft Punk em 2006, recebe agora os Cassius. “Bon soir”.

THE NOISETTES

Os The Noisettes partem de Londres com uma ideia nas suas cabeças: confundir e exasperar as cabeças e os ouvidos de quem os ouve. Expliquemo-nos: a sua música ostenta pedaços tão diversos como free jazz e guitarras speedcore. Às vezes ao mesmo tempo… São três. A vocalista e baixista Shingai Shoniwa é de origem zimbabweana, sobrinha de um dos Bundhu Boys e dona de uma senhora voz, que usa como uma cantora gospel bêbada. A sua prevista carreira de actriz terminou quando se juntou ao guitarrista Dan Smith, que aos 13 anos decidira aprender guitarra para poder juntar-se à banda de Jimmy Page. O terceiro elemento desta estranha troupe é um maníaco baterista, que clama ter passado anos da sua juventude sozinho em casa a tocar horas a fio até um determinado som de bateria lhe parecer perfeito. Devido aos acasos das fusões acabaram por se achar no rol da mítica editora Motown. Diana Ross provavelmente desmaiaria ao ouvi-los, mas um iconoclasta revolucionário e romântico como Marvin Gaye apreciaria. E o álbum de estreia, “What’s the Time Mr. Wolf?”, ainda pisca o olho a “Pulp Fiction” e ao grande Harvey Keitel. Como não adorar estes barulhentozinhos?

JAMES

Se existem bandas talhadas para animar, alegrar e emocionar grandes festivais, os James são claramente uma delas. Por isso, que felicidade para o Sudoeste TMN 2007 poder anunciar que o sexteto de Manchester está de novo reunido, após seis anos de costas voltadas, de novo a dar concertos – dia 5 de Agosto na Zambujeira –, e ainda a gravar novas canções. “Revitalizados” é a palavra utilizada pelo vocalista Tim Booth, que percebeu que colocar de novo em acção bandas separadas não é “uncool”, após assistir a concertos dos Pixies e de Bruce Springsteen com a renovada E Street Band. Melhores pontos de comparação, aliás, não poderia haver, para uma banda que conseguiu de forma brilhante superar as iniciais sombras lançadas pelos conterrâneos Smiths e desabrochar como uma grande máquina de juntar melodias serpenteantes, gosto pela experimentação (via produção de Brian Eno, por exemplo) e uma enorme força ao vivo. “Sit down”, relembremos, é um dos grandes hinos colectivos. Nela, os James celebram uma afirmação de solidariedade que só não conseguirá provocar arrepios (nem que seja um bocadinho) aos mais empedernidos cínicos. Um concerto desta banda é para quem gosta de estar em comunidade, em transmissão de vibrações. Mas, também, o Sudoeste TMN está recheado desta boa gente. Que bom, felicidade para os James e para todos nós.

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Foi produzida uma edição limitada com a ilustração vencedora “corta e costura”, da autoria do skrull12. As t-hirts estão à venda desde sábado na loja do festival, situada no hall de entrada do auditório municipal.

Tributo ao rock nacional

Junho 27, 2007

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