André Carrilho

Outubro 10, 2007

Camilo Castelo Branco faria ontem, se fosse vivo, 181 anos. A assinalar a data, o Centro de Estudos Camilianos, em Seide, Famalicão, inaugurou uma exposição de caricaturas de André Carrilho, intitulada Linha, Ponto e Vírgula. A mostra, integrada numa vertente da programação que visa fazer do edifício projectado por Siza Vieira um lugar de encontro da literatura com outras artes, reúne cerca de 80 caricaturas, todas elas de escritores, portugueses e estrangeiros.

De Oscar Wilde a Fernando Pessoa, de Dostoievski a Paul Auster, de Cesariny a Shakespeare, passando, claro, pelo próprio Camilo, ali se perfila uma verdadeira constelação de homens de letras. São eles, desta vez, a obra. Todos diferentes, todos com a alma chapada no papel, mas tendo entre si aspectos comuns, ainda que não lhes pertençam. André Carrilho tem essa virtude: a de fazer sobreviver um estilo próprio, inconfundível, à expressão fiel de íntimos pessoais radicalmente distintos.

Nascido em 1974, na Amadora, o ilustrador, designer gráfico, animador e caricaturista colaborou já com alguns dos mais importantes títulos da imprensa portuguesa (a exemplo do DN, que publica regularmente o seu trabalho), tendo conquistado vários prémios internacionais, entre os quais, em 2002, o Gold Award para Portfólio de Ilustração, pela Society for News Design (EUA). Marca presença assídua, também, em publicações estrangeiras de grande prestígio, casos do The New York Times ou do The Independent on Sunday.

Não foi, todavia, do currículo que Carrilho falou às duas turmas escolares que o esperavam, terminada a visita à exposição, no auditório do Centro. Aí, em tom informal, fez um voo rasado sobre os processos e as técnicas que experimentou até hoje, desde o começo da sua actividade profissional, em 1996.

Considerando que “o ilustrador é um prestador de serviços, não um artista isolado na sua mansão”, disse trabalhar, enquanto tal, “não para o papel, mas para o objecto impresso”, relativamente ao qual não é tão fácil assegurar a fidelidade do produto final, embora “haja formas de o conseguir”. Faz parte da aprendizagem.

A falta de tempo, factor inerente ao ritmo de produção dos jornais, “é, às vezes, uma ajuda, porque aguça a capacidade de síntese”, indispensável a quem exerça a sua função. “Caricaturar é tornar visível o processo de memorização do cérebro. Quanto mais rápido eu tiver de fazer uma caricatura, mais foco os pontos essenciais da fisionomia das pessoas”, revelou. De resto, “não é preciso ter uma lógica científica no desenho, mas uma lógica de percepção”. O espectador que junte os pontinhos.

Linha, Ponto e Vírgula fica patente em Famalicão até 14 de Maio.

André Carrilho trabalha profissionalmente desde 1992 como designer, ilustrador, cartoonista, animador e caricaturista, colaborando com diversos jornais e revistas portuguesas.
Ganhou vários prémios nacionais e internacionais e mostrou o seu trabalho, em grupo ou individualmente, em exposições em Portugal, Espanha, Brasil, França e Estados Unidos da América.
Em 2002 vence o Gold Award for Illustrator’s Portfolio da Society for News Design (EUA). Os seus mais recentes trabalhos incluem ilustrações para a New York Times, Harper’s, The Independent On Sunday e Vanity Fair.
Jantar em Lisboa é a sua primeira obra.

http://www.andrecarrilho.com/

FILMOGRAFIA

“Jantar em Lisboa”, Portugal, 2007, ANI, Betacam SP, Cor, 10′

Caricatura de Agustina Bessa-Luis, por André Carrilho.

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